A crise e o mundo de Matrix

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Os dois argumentos mais ouvidos para justificar a nossa suposta “imunidade” ou o “baixo impacto”
em relação aos efeitos da crise internacional são: a) nossas exportações estão mais diversificadas
e, neste sentido, dependemos menos da economia norte-americana e b) agora temos o petróleo
da camada pré-sal, que será a “porta de entrada para o primeiro mundo”. Sobre o petróleo falarei
no próximo comentário, mas essa conversa de risco diversificado é absurda, pois a crise afetará a
todos os países e, no comércio internacional, não há espaço para “amadores”. Até a Vale vai sofrer
as conseqüências, pois os importadores chineses já chamaram a empresa “para conversar” e, para
quem já conhece a história da soja, sabe o que isso significa: ou se reajustam os preços para baixo
ou simplesmente os contratos não serão honrados, com ou sem a interveniência do governo. O
mercado sempre foi de quem compra (a não ser que o comprador seja bobo, o que os chineses não
são) e deixar de reconhecer isso é um erro tão comum quanto fatal.