Enquanto a classe operária vai ao paraíso…

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… metaforicamente, é claro (dado o excepcional índice de aprovação do governo, que deve se
confirmar no próximo domingo), a classe média trabalha até NOVE MESES para pagar tributos e
serviços que deveriam ser fornecidos pelo Estado. Segundo reportagem da Folha, após trabalhar 157
dias neste ano para pagar os impostos e contribuições exigidos pelos três níveis de governo, a classe
média brasileira ainda terá de destinar mais 117 dias de trabalho somente para adquirir serviços
privados de saúde, educação, previdência e segurança. De acordo com o IBPT (Instituto Brasileiro
de Planejamento Tributário), o cidadão de classe média só começará a trabalhar para comer, vestir,
morar, comprar bens, gozar férias e fazer alguma poupança no dia 1º de outubro. Ou seja: temos
apenas três meses do ano para nós mesmos, com alguma perspectiva de satisfação ou progresso.
Segundo o IBPT, na década de 70 os brasileiros gastavam apenas 25 dias de trabalho por ano para
comprar os serviços, ou 7% da renda. Na década seguinte já eram necessários 44 dias, ou 12% da
renda. Em 1995 a compra dos serviços consumia 20% da renda familiar, ou 73 dias de trabalho. Em
2003, pela primeira vez os brasileiros já tinham de trabalhar mais de 100 dias por ano (102), o que
correspondia a 28% da renda. Fora os tributos. P.S.: o título acima foi retirado do grande clássico
do cinema político italiano, dirigido por Elio Petri, no qual o operário metalúrgico Lulu perde um
dedo em acidente de trabalho, envolve-se com o movimento sindical e entra em conflito ante as
tentações da sociedade de consumo e os bordões da esquerda tradicional. É sério, se você duvidar,

assista o filme, que é ótimo.